A sensação de felicidade é o mais recente argumento a favor da dieta mediterrânica. À extensa lista de benefícios deste regime alimentar há muito divulgados por profissionais de saúde, junta-se agora a descoberta de que quem segue uma dieta rica em ingredientes tradicionalmente consumidos nos países mediterrânicos tem menos probabilidades de desenvolver depressões.
Um dos pontos de partida da investigação foi o facto das doenças mentais serem menos comuns nos países mediterrânicos do que nos do Norte da Europa, o que tem sido atribuído pelos cientistas às distintas dietas alimentares, com destaque para no Sul se privilegiar produtos como os vegetais, as frutas, as nozes, os grãos e o peixe.
E, claro, o azeite, produto que vários estudos têm apontado como protector contra a depressão, nomeadamente devido a conter níveis elevados de ácidos gordos monoinsaturados.
Um estudo agora divulgado pela Associação Americana de Medicina, na publicação "Arquivos da Psiquiatria Geral", concluiu que as sinergias resultantes da combinação entre os alimentos característicos do regime alimentar do Mediterrâneo contribuem para melhorar a função dos vasos sanguíneos, reduzir os riscos de doenças cardíacas, combater os processos inflamatórios e reparar e reactivar a oxigenação das células danificadas.
Trata-se, segundo os investigadores, de um conjunto de factores que diminuem os riscos da doença depressiva, apesar dos mecanismos deste processo ainda não serem devidamente conhecidos.
Nos últimos quatro anos, estes investigadores das universidades de Navarra e de Las Palmas conduziram esta pesquisa que envolveu dez mil espanhóis a viverem em Espanha aos quais foi pedido para registarem aquilo que comiam. Posteriormente, organizaram a amostra em função da sua adesão a nove componentes da dieta mediterrânica.
Durante o período do estudo, os investigadores identificaram 480 novos casos de depressão e concluíram que o risco de desenvolvimento da doença era 30 por cento mais baixo entre os que seguiam com mais rigor a dieta mediterrânica.
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